As origens das barbearias: uma viagem pela história

4 de mai de 2026
Leitura de 3 min
Barbeiro e a sua barbearia
Basta olhar à sua volta para perceber que já lá vai o tempo das barbas desalinhadas e dos homens que ignoravam o desodorizante. O cuidado pessoal voltou em força e as barbearias estão no centro deste renascimento. Mas afinal, onde nasceram as barbearias e porque é que continuam tão populares hoje? Vamos embarcar numa viagem pela fascinante história dos barbeiros, que remonta à antiguidade.
Os barbeiros têm uma história rica, que vem de uma época em que não se dedicavam apenas a cortar cabelo, mas também assumiam papéis de médicos e líderes espirituais. Em muitas culturas antigas, como na Ásia, acreditava-se que o cabelo podia atrair maus espíritos, por isso a higiene regular era essencial para manter a saúde física e mental. As cerimónias incluíam frequentemente danças com o cabelo solto para expulsar os espíritos, seguidas de um penteado cuidado pelo barbeiro para impedir o seu regresso.

Tempos antigos: egípcios rapam-se de três em três dias, romanos adoram as suas navalhas

No antigo Egito, os barbeiros eram altamente respeitados, como mostram representações em papiros antigos. Os sacerdotes eram conhecidos por raparem todo o corpo de três em três dias para manterem a pureza. A importância do cuidado pessoal é até referida na Bíblia, onde José se barbeou e arranjou antes de se apresentar ao Faraó, sublinhando a relevância da aparência mesmo nesses tempos.
Os barbeiros também ganharam destaque na Grécia, onde cuidar da barba se tornou um símbolo de estatuto. Era um serviço prestigiado, reservado aos cidadãos mais abastados.
No século III a.C., os macedónios perderam várias batalhas contra os persas porque os inimigos usavam as suas barbas contra eles em combate. Depois disso, Alexandre, o Grande, ordenou que todos os seus soldados se rapassem, e rapidamente os civis aderiram à tendência.
Por volta da mesma época (296 a.C.), um homem chamado Ticinius Mena introduziu a primeira navalha em Roma. As faces rapadas tornaram-se moda num instante e os homens começaram a passar horas nas cadeiras dos barbeiros. O ritual de cuidado incluía não só cortes de cabelo, mas também massagens, aplicação de óleos raros e até manicures — essencialmente a experiência de serviço completo que hoje reconhecemos.
Um homem a barbear a barba

Idade Média: barbeiros como cirurgiões e dentistas

O conhecimento médico nos primeiros séculos d.C. era limitado e muitas pessoas morriam de doenças hoje facilmente tratáveis. Na Idade Média, os barbeiros trabalhavam lado a lado com sacerdotes e curandeiros, realizando procedimentos como sangrias. Após o Concílio de Tours de 1163 proibir o clero e os médicos de praticarem estes procedimentos, a responsabilidade passou inteiramente para os barbeiros, marcando o início da sua era dourada.
Os barbeiros tornaram-se a referência não só para cortes de cabelo e aparas de barba, mas também para procedimentos cirúrgicos e dentários. Foram criadas guildas oficiais de barbeiros no século XIII, onde, além de cortar cabelo, os barbeiros eram formados em cirurgia e anatomia. Em meados do século XIV, as guildas de barbeiros eram algumas das organizações mais influentes em muitos países.
Com o tempo, porém, cirurgiões e dentistas começaram a mostrar descontentamento com a falta de conhecimento anatómico dos barbeiros e com práticas duvidosas. Em 1450, um decreto em Londres limitou o número de procedimentos cirúrgicos que os barbeiros podiam realizar.
Apesar destas restrições, os barbeiros mantiveram a maioria dos seus privilégios até meados do século XVIII, quando o Parlamento britânico aprovou uma lei que separou as funções de cirurgiões e dentistas das dos barbeiros, marcando o fim da era do barbeiro-cirurgião.

Tempos modernos: o surgimento das barbearias

Quando os barbeiros deixaram de poder realizar procedimentos médicos, passaram a ser cada vez mais influenciados pela indústria da moda. A popularidade das perucas no final do século XVIII e XIX também prejudicou a barbearia tradicional, levando ao declínio da profissão. As barbearias tornaram-se espaços exclusivamente masculinos, onde raramente se viam mulheres.
O renascimento surgiu no final do século XIX, quando A.B. Moler fundou a primeira escola profissional de barbeiros em Chicago. Esta era a única instituição do género na altura e rapidamente ganhou reconhecimento em toda a América.
As barbearias tornaram-se rapidamente locais onde os homens se reuniam não só para cuidar da aparência, mas também para conviver, trocar novidades e até desfrutar de uma bebida. Estas "barbearias" evoluíram para verdadeiros centros comunitários.

Barbearias hoje: porque estão de volta?

Hoje em dia, as barbearias estão a regressar em força. O que as torna tão populares? Para além de oferecerem um excelente cuidado de cabelo e barba, proporcionam um ambiente único que faz lembrar os tempos em que as barbearias eram o centro da vida social. Com o regresso das barbas bem cuidadas e do grooming masculino tradicional, as barbearias voltaram a estar na linha da frente do estilo e da cultura.
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